Com Valérie Perrin não tem surpresa: podemos esperar lágrimas e corações partidos. E como boa amante de histórias tristes, me envolvi, me emocionei, criei teorias, fiquei em choque, amei...
Essa é a minha terceira experiência com a autora francesa, e cada vez me apaixono mais pelas suas narrativas e pela forma que proporciona reflexões sobre temas tristes mas reais da vida.
Em Querida tia, Agenès recebe um telefonema informando que sua única tia acaba de falecer. A mesma tia que havia sido enterrada há 3 anos. Pois é.
A partir disso, a sobrinha começa a desvendar os mistérios de Colette e de sua família, ao mesmo tempo em que conhecemos histórias paralelas bem profundas.
O livro entrelaça várias histórias e personagens, e por ser muito grande às vezes acabamos nos perdendo um pouco, mas no final toda a moral faz sentido.
Mais um livro para ser sentido no fundo da alma. E eu amei. Foi ótimo ler uma das minhas autoras favoritas com meu grupo favorito!
E por aí, já conhecem a escrita de Valérie Perrin?
Que venham as próximas! 📖🥺❤️🩹
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| @livrosepaixoes_ |
“Tem hábitos que começam sem que a gente lembre por quê.”
“É bonita essa expressão, ‘cada um na sua’.”
“Quero pensar no agora. No futuro também, mas não muito. Pensar no agora já é alguma coisa.”
“É o que sempre digo, a vida é bizarra.”
“Temos sempre que pensar em quem virá depois de nós. Onde quer que estejamos. Se todo mundo fizer assim, tudo fica nos conformes.”
“Como seu querido marido havia mudado tanto assim? E por quê? Ou será que foi ela que não prestou muita atenção em suas oscilações de humor?”
“Sabe, Agnès, as pessoas não nos olham de verdade. Na maioria das vezes, quando alguém pergunta como você está, não dá a mínima para a resposta.”
“Eu tive sorte, e Blanche, não: o pai dela não morreu.”
“Nossas lembranças geram as noites em claro.”
“— Nathalie está certa, você deveria escrever.
Ele começa a rir.
— Já tem muito escritor nesse mundo. As editoras não precisam de mim.
— Não são as editoras que precisam de você, são os leitores.”
“Nem todo mundo nasce com a mesma mãe.”
“Algumas pessoas nunca superam o fim de um relacionamento amoroso. Isso existe mesmo.”
“— Tem uma coisa que ainda não entendi, Paul. Esse assassino deve ter mais de oitenta anos, como pode ainda ser um perigo para as pessoas?
— Ódio e loucura não têm idade, patroa.”
“Não esqueça nunca que no seu mundo eu pareço um bandido, mas, no meu, o criminoso é você.”
“A beleza é, e será sempre, mais forte.”
“Como são estranhas a vida e as pessoas.”
“As preferências não se explicam. É que nem o amor: por que ele, em vez daquele? Por que ela, em vez daquela?”
“Como é triste constatar que a infância é curta.”
“Eu, que sempre achei que seria uma burrice tremenda se casar assim, com alguém que você mal conhece, cheguei a lacrimejar. Existem esses casais, apaixonados, almas que se encaixam de uma maneira muito óbvia.”
“Como superar uma dor de cotovelo? Isso se supera? E por que superar? Não tenho resposta.”
“Confesso que adoraria me interessar por alguém, mas isso não acontece mais.”
“Foi dois anos antes de você nascer, Agnès. Uma bala perdida. Ela não teve tempo de sofrer. Morreu na hora. Que expressão estranha. É para tranquilizar os que ficam, os vivos. Para dizer que não houve sofrimento nem tempo de suspirar.”
“Imagine, se eu tivesse um filho e não o amasse? Não. É tristeza demais, dor demais.”
“Como é bom ter gente que não nos conhece, que nunca decepcionamos, irritamos nem traímos.”
“— Do que você se arrepende?
— De ter sido infeliz.
— Mas não é sua culpa. Ninguém decide ser feliz ou infeliz.
— Decide, sim.”
“Não te vi muito, não te conheci tão bem, mas não precisamos ver tanto uma pessoa para saber que a amamos e que ela é importante. O que conta mesmo é a presença dela quando está com a gente.”
“Neste país, tem bibliotecas municipais em todas as cidades. Até nos vilarejos. Um tesouro nacional.”
“Há quem compare homens cruéis com animais. Quem diga que eles se comportam que nem bichos. Animal nenhum cometeria os horrores de alguns homens.”
“Em Lyon, conheci um homem que administrava uma casa de jazz em Paris. Um cara tão sedutor que nem pestanejei quando ele me convidou para acompanhá-lo. Achei que tinha tirado a sorte grande. Um engano… Sorte é não depender de ninguém.”
“Escrever me permitiu sentir o que não fui capaz de viver.”
“Quando a solidão é sua melhor amiga, ela não é triste, nem sofrida, é uma escolha.”
“Quando era criança, eu gostava de ficar doente, porque minha mãe dormia comigo. Quando minha febre passava, ela voltava para o meu pai. Por isso, eu fingia que estava com uma dor aqui, outra ali, só para ela continuar ao meu lado.”
“Preferiria que ele soubesse. Mas não se mente para as pessoas que amamos. Do contrário, é sinal de que não as amamos de verdade.”
“Não era uma prerrogativa das mulheres, a solidão?”
“Ter o dom da música é ser agraciado com parte do divino.”
‘O mais difícil quando a gente conhece alguém é contar do passado. É passagem obrigatória, que não dá a menor vontade de encarar.’
“— Mudou de título?
— Mudei.
— Qual é?
— Querida tia.”

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